29 de nov. de 2013

Sonho com Kurt Cobain


Aquele dia havia sido cansativo, mas apesar de tudo, quando deitou em sua cama e fechou os olhos, sentiu o conforto de estar prestes a apagar; era como uma espécie de fuga para Molly, o mais perto de escapar da vida que conseguia. 

E em alguns minutos, já estava nos latifúndios de seu sono, onde um breve sonho era desenhado por sua mente. Kurt Cobain estava sentado sobre a
grama da praça onde ela costumava beber com os amigos. O vento soprava seus cabelos loiros e aqueles olhos penetrantes a fitavam; foi quando Molly caminhou em sua direção, percebendo que carregava um maço de cigarros em uma das mãos. 


Kurt sorriu brevemente enquanto a garota se sentava ao seu lado e ela, mesmo sem saber se devia, entregou um cigarro a ele, recebendo um sorriso de canto enquanto pegava outro para ela mesma. Em seguida, acenderam os cigarros e os tragaram em silêncio. Em sua mente Molly se perguntava sobre aquele momento, observando o ídolo a seu lado, sentia uma tristeza aguda e ao mesmo tempo uma alegria estonteante. Queria dizer coisas bonitas ou coisas que o surpreendesse, mas sabia que nada que surgisse em sua mente seria suficientemente diferente para ele; e Kurt Cobain não era qualquer um, nunca havia sido esse tipo de garoto, mesmo quando estava distante dos holofotes, então decidiu que permanecer em silêncio, dividindo aquele momento com ele, deveria ser o suficiente para fazê-la feliz.

- Porque sente por minha morte se é o que almeja?

– De repente ele falou, com uma expressão confusa que ela já havia visto em fotos. No momento seguinte, a expressão confusa também dominou seu rosto e, percebendo isso, Kurt prosseguiu. – A morte, você a almeja. Porque sente por minha morte, quando você a deseja? 

- Veja o lado bonito, é o suicídio. – Ela murmurou, fitando o céu. Kurt sorriu e balançou a cabeça. 

- Veja o lado bonito do suicídio. – Terminou e ambos sorriram. Logo em seguida uma expressão preocupada dominou seu rosto, fazendo Molly semicerrar os olhos. – E se eu te contar que você não vai conseguir?  

- Conseguir o que? – Molly perguntou, mesmo que secretamente, soubesse exatamente do que ele falava. 

- A sua arma de volta. – Kurt murmurou, num código que talvez poucos seriam capazes de entender. Na verdade falava sobre a morte, sobre como Molly não alcançaria a morte com suas próprias mãos.

- Estou condenada, eu sei. – Lamentou, com pesar em seu tom de voz. – Será que eu poderia encontrar outro caminho? – Perguntou, como se de repente um fio de esperança brotasse, mas não passava de um relapso que ela conhecia, logo cairia num emaranhado de perguntas internas e não teria respostas, voltaria ao mesmo estado em que se encontrava: condenada.
- Não se preocupe minha garota. Você se livrará dessa dança de miséria um dia, só não se esqueça de quebrar tudo no final do show. – Kurt Cobain sorriu e, enquanto ela fitava aquele rosto feliz, sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos novamente, aquele sorriso transparecendo alegria fazia sua garganta arder e seu coração arder ao ser apertado por uma imaginária e maldosa mão.

Estava sentindo por sua morte novamente quando abriu os olhos e estava fitando o teto de seu quarto escuro. 'Não se preocupe minha garota. Você se livrará dessa dança de miséria um dia, só não se esqueça de quebrar tudo no final do show'."

(Por: @likeadude_)

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